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29 de janeiro de 2018

Broínhas Matrafonas

EU CHAMO-LHES BROÍNHAS MATRAFONAS!
Há umas semanas, poucas se a memória não me falha, vi uma receita de uns bolinhos, ao género de biscoitos, que a amiga Fátima publicou no Facebook. Por serem um doce típico português, transmontano, por sinal, que só nas palavras emanam um cheirinho a caseiro e a antigamente, decidi fazê-las e anotá-las no meu caderno de receitas, de forma a confeccioná-las regularmente e preservar uma tradição que é nossa, num tempo em que Portugal tem vindo a perder a sua identidade - mas, sobre isso, há muito pano para mangas!
Agora, sendo a terceira vez que faço as Broínhas Matrafonas (originalmente chamadas "matrafões" ou "biscoitos de azeite"), considerando, por isso, que já domino a receita o suficiente para me orgulhar disso, partilho com quem de interesse a receita e o registo fotográfico da tarde de labor pasteleiro.


- 9 ovos;
- 1 chávena almoçadeira de azeite (o equivalente a 250 ml);
- 500g de açúcar;
- 1 cálice de aguardente (da boa!);
- 1kg de farinha ("Branca de Neve" preferencialmente);
- 1 colher de chá com fermento químico;
- 1 colher de chá com bicarbonato de sódio. 


Eu fiz da seguinte forma:
Numa bacia espaçosa, juntar os ovos, o azeite, o açúcar e a aguardente, misturando-os com a batedeira até ficar uma massa leve e homogénea. Ir adicionando a farinha até sentirmos que a batedeira começa a emperrar. Quando isso acontecer, juntar o fermento e o bicarbonato, e, depois, com uma colher de pau, continuar a misturar a farinha.
Deixar repousar a massa, com um paninho por cima, durante, no mínimo, uma hora. Fazer bolinhas com mais ou menos cinco centímetros de diâmetro, passo o preciosismo, e dispô-las em tabuleiros com papel vegetal. Levar ao forno, pré-aquecido a 190ºC, durante aproximadamente 15 minutos. Para lhes dar alguma graça, polvilhem cada Broínha Matrafona com açúcar e canela antes de irem cozer. Elas devem crescer e rachar no cimo, criando uma "côdea" à sua volta.
Acompanhem-nas com uma tisana, ou com um chocolate quente. Eu, estando em casa do "Sr. Gaspar", acompanhei com uma cevadinha de saco. Hummm!



Pedro Pinho e Suárez


6 de agosto de 2015

Lombo de Porco às Amoras

Apesar de já há algum tempo não considerar, ao contrário de muitos, uma determinada anualidade algo importante e merecedor de pretexto festivo, julgo que hoje é um dia especial.
Talvez pela nova etapa etária, que um novo número zero me ousou acrescentar.
Talvez por hoje ir "comer como um abade", como se costuma dizer, com os meus avós maternos, que são também meus pais, na verdade, estando este sentimento directamente relacionado com o gosto que me dá em estar com eles.
Talvez por, enfim... talvez porque sim.

Considerando que cozinhar é, para mim, um prazer e uma terapia, juntando esse útil a esse também agradável, ofereço-vos este presente: Lombo de Porco às Amoras.
É, nada mais, nada menos que um lombo de porco marinado várias horas numa polpa natural de amoras, naturalmente.

- 1kg de lombo de porco;
- sal q.b;
- 2 dentes de alho;
- 3 folhas de louro;
- 700g de amoras;
- 1 cebola grande;
- azeite q.b;
- 1 colher de sobremesa com açúcar;
- 1 raminho de alecrim.

Esta receita é, pelo nome, tão requintada, pelo processo, tão fácil e, pelo resultado final, tão, mas tão saborosa, tenra, suculenta... Enfim, a carne de porco ronca por sabores frutados! E isso é incontestável.

Por terem sido oferecidas e por serem um fruto relativamente dispendioso, deixo aqui o meu sentido agradecimento ao meu vizinho, que simpaticamente entregou-mas ao meu pedido. "Quero comprar-lhe amoras, mas bem ácidas!", pedi-lhe eu. Bem, a verdade é que elas chegaram com a qualidade pretendida, mas o produtor recusou-se a receber dinheiro.
Histórias!
Adiante...

No lombo de porco, esfreguem um pouco de sal, alho e louro e deixem-no assim, a repousar, por vinte minutos.
Numa taça grande, reduzam as amoras a uma polpa, utilizando as mãos e deixando pedaços de amoras parcialmente inteiras - dará uma textura incrível - mas se quiserem, livrem-se das pequenas sementes.
Mergulhem o lombo na polpa e massagem-no como se o porco ainda estivesse vivo, com carinho e cuidado. A seguir, dêem golpes na carne com uma faca e façam a marinada penetrar pelas fissuras.
Permitam que o lombo marine durante a noite, dentro do frigorífico.

No dia seguinte, retirem o lombo, coloquem-no numa travessa ou pírex, assim como a marinada de amoras. E siga para um forno previamente aquecido a 160ºC, por uma hora.
Passado esse tempo, retirem o lombo do forno e permitam-lhe que descanse sob um papel de prata. Retirem também a marinada que o acompanhou no forno e coloquem-na numa frigideira, a lume médio/alto.
Cortem a cebola e introduzam-na na marinada, deixando-a cozer até amolecer.
Rectifiquem o sal e juntem o açúcar, assim como um generoso fio de azeite. Deixem os sabores apurarem.

De seguida, voltem a colocar o lombo na travessa e o "molho" anteriormente preparado também, levando-os novamente ao forno, desta vez salpicados com folhas de alecrim fresco, num forno a 180ºC por, mais uma vez, uma hora, aproximadamente.

Sirvam com gosto e a gosto, com um arroz branco e uma salada de alface e cebola, por exemplo.
Não é para "andar à nora", mas para saborear a amora e o seu carácter ácido.

Bom proveito!


30 de julho de 2015

Quiche de Morcela de Arroz

Soube-me tão bem voltar a cozinhar, "como manda a lei", finalmente!

Hoje, num jantar de amigos e família em minha casa, houve direito, também, a uma entrada especial. Um prato de origem francesa mas, desta feita, com sabores portugueses, sendo um dos elementos absolutamente exclusivo do nosso país, no que à sua génese diz respeito, claramente. Refiro-me, tal como o título já enuncia, à morcela de arroz.

- 1 colher de sopa com manteiga;
- 1 cebola grande, bem grande;
- 2 folhas de louro;
- 3 ovos biológicos;
- 1 pacote de natas;
- 1 medida desse pacote com leite;
- 3 salpicos de pimenta;
- 1 pitada de noz moscada;
- sal q.b.;
- 1 morcela de arroz;
- 200g de queijo mozzarella;
- 1 base de massa folhada.

Esta receita, apesar da sua (quase) vasta lista de ingredientes, é bastante fácil de fazer e é sempre bem-vinda como um começo de uma refeição de carne. Aconselho a acompanharem a quiche de morcela de arroz com um vinho maduro tinto. Um "Papa Figos", por exemplo, é o ideal, pois o seu perfil franco de aroma frutado dá conta do sabor fumado da morcela.

Comecem por refogar a cebola na manteiga, com o louro cortado em dois sem o vaso central, até ficar mole e translúcida.
Numa tigela batam os ovos e acrescentem as natas, o leite, a pimenta, a noz moscada e o sal a gosto.
Cortem a morcela às rodelas.
Pincelem uma tarteira com azeite e estendam a massa sobre ela, pressionando as extremidades. Antes de colocarem a morcela, disponham a cebola no fundo. Depois reguem com o preparado líquido e espalhem o queijo mozzarella por cima.

Num forno previamente aquecido a 180ºC, coloquem a quiche primordial e deixem-na durante, aproximadamente, 45 minutos, ou até estar com belas e apetitosas manchas douradas no topo.

Quando a desenformarem, reguem-na parcamente, caso tenham, com azeite de trufa.

Nada melhor do que esta tarte para preparar o estômago para o que se avizinha. Sim, porque o prato principal também aqui o vou publicar, pois considero-o merecedor.
De qualquer forma, para o jantar de hoje, a entrada foi quase tudo o que o pessoal "quiche"!


27 de junho de 2015

Dia do Gin com Bolo de Laranja

No século XI, monges italianos foram sobrecarregados, para além das suas rígidas actividades escolásticas, com incontáveis moribundos que sucumbiam à Peste Negra. Como muitas das fontes de água que lhes estavam à disposição haviam sido contaminadas, arranjaram uma solução para os doentes recorrendo a bagas de zimbro e à fermentação alcoólica, acabando por produzir o primeiro gin da história.

Naturalmente que essa bebida não curava propriamente, mas servia como um eficaz paliativo e era uma boa alternativa à água impotável. Apenas no século XVII, muito provavelmente na Holanda, surgiu o verdadeiro gin, resultante da destilação de zimbro, o qual seria muito próximo dos gins que conhecemos actualmente.

No decorrer da sua história secular, esta bebida espalhou-se pelos EUA, pelo continente africano e pela Índia, no tempo das colónias britânicas.
Associado, nessa altura, à crise da malária, estava a água tónica que tanto ajudou a combater a doença devido às suas propriedades medicinais. Tendo as duas bebidas em conta, os colonos de então, por ousadia ou acaso, concluíram que a junção de gin com água tónica originava um equilíbrio nunca antes conseguido e, por isso, nasceu assim o gin tónico, uma das mais agradáveis e famigeradas bebidas à face do mundo civilizado.

Ora, neste que é o Dia Nacional do Gin Tónico, recomendo, porque assim o vou fazer também, a sorverem com atenção um "balão" de Jodhpur, oferecido-me hoje pelo meu avô materno, um gin de estilo "London Dry" de aromas exóticos e sabores florais. No copo, acompanhem-no com gelo, casca de laranja, framboesas e água tónica. Na mesa, bebam-no na companhia de uma fatia do meu Bolo de Laranja.

- 2 chávenas com farinha;
- 2 chávenas com açúcar;
- 1 colher de sobremesa com fermento;
- 2 laranjas grandes bem doces (ou três pequenas);
- 6 ovos biológicos;
- 1 chávena com óleo vegetal;
- 1 copo de shot com gin.

Misturando os ingredientes secos, os três primeiros da lista acima, num recipiente redondo, reservem-nos. Numa liquidificadora, ou com uma varinha mágica, triturem as duas laranjas, sem casca e com o mínimo de "pele" branca possível, mas com a raspa de uma, os ovos e o óleo.
Quando obtiverem uma solução homogénea e cremosa, juntem-na aos ingredientes secos e misturem-nos com vigor. Estando a massa bem batida, adicionem o gin e voltem a misturar.

Numa forma previamente untada com manteiga e farinha, levem o bolo primordial a um forno a 175ºC durante, aproximadamente, quarenta e cinco minutos.

Retirem o Bolo de Laranja, deixem-no descansar e, quando estiver à temperatura ambiente, acompanhem o vosso honesto gin com uma ou mais fatias.
Estão todos convidados a fazê-lo!

Agora, peguem nos copos e brindemos à vida: Gin gin!

23 de junho de 2015

Coxinhas Panadas com Iogurte

O título poderá sugerir que as pequenas coxas de frango sejam, depois de panadas, acompanhadas com iogurte natural, mas, apesar de ser comum na cultura culinária de alguns países orientais, não é o caso neste mesmo acaso.

Acaso porque, embora não seja um prato asiático, a receita que vos sugiro contém um ingrediente que evoca alguns locais desse mesmo continente.

Para além de ser uma receita simples, é repleta de sabores e texturas. É versátil, pois recebe com gosto e a gosto qualquer acompanhamento, como um arroz malandro de tomate, uma salada rica em vegetais verdes ou uma simples massa cozida, e, numa trincadela apenas, canta, estala e sapateia na nossa boca. Talvez lhe devesse chamar coxinhas flamenco!

- 8 coxinhas de frango;
- 4 dentes de alho;
- sal q.b.;
- 1 iogurte grego natural;
- pão ralado;
- pimentão doce em pó;
- gengibre em pó;
- óleo vegetal q.b.

Procurem um recipiente onde as coxinhas caibam à tangente. Cortem finamente, várias vezes, o alho e, juntando-o ao frango assim como sal a gosto, deixem marinar durante, pelo menos, meia hora.
Enquanto isso, podem preparar o pão ralado devidamente aromatizado. Este ingrediente podem fazê-lo vocês mesmos, mas essa sugestão será dada num próximo bom repasto. Ora, num prato raso coloquem pão ralado, pimentão doce até adquirir uma coloração mais corada e, em seguida, um pouco de gengibre em pó, ao gosto de cada um.
Passada a meia hora, abram um iogurte grego natural e espalhem-no sobre as coxinhas, envolvendo-as na peculiar marinada de sal, alho e iogurte e aguardem mais meia hora.
Aqueçam óleo vegetal até à temperatura certa e, com dedicação, impregnem toda a área das coxinhas com a mistura de pão ralado.
Deixem-nas fritar em lume média a baixo, depende naturalmente dos fogões, e, quando obtiverem uma cor castanho-escura, assinala-se o fim da cozedura. Preocuparem-se não devem, pois esta cor é, nada mais, nada menos, que o produto do pimentão doce cozinhado na perfeição.

Esta receita, com tanta influência portuguesa como norte-americana e até mesmo asiática é um prato absolutamente delicioso. Daqueles que nos fazem lamber os dedos e salivar por mais um pedaço de galináceo. Carnificina? Não! Ânsia por boa comida!


 

16 de junho de 2015

Bolo de Courgette e Pistácios

Nem imaginam, caros leitores, a ansiedade que me causou este bolo.
Tornar ingredientes que normalmente se comem salgados, como os próprios pistácios que já o são, num prato doce parece algo bastante improvável, mas podem confiar nesta minha receita.

A protagonista deste doce é, naturalmente, a courgette, mas o contraste salgado e granular do pistácio, um fruto seco de origem asiática mas agora cultivado nos países mediterrânicos, torna a mastigação mais animada, embora seja, muito surpreendentemente, um bolo leve.

- 150g de courgette;
- 2 cenouras pequenas;
- leite meio gordo (apenas um chapisco);
- 1 chávena e meia com açúcar (tentando, assim, prefazer aproximadamente 190g);
- 1 chávena e meia com farinha;
- 1 colher de chá com fermento;
- 1 colher de chá com canela;
- 1 colher de café com bicarbonato de sódio;
- 1 chávena com óleo vegetal;
- 3 ovos biológicos;
- 1 colher de chá com extracto de baunilha;
- 1 mão bem cheia de pistácios.

Devo advertir desde já que, muito honestamente, não é o bolo mais fácil de confeccionar que existe. Vale a pena tentar e não desistir, no entanto.
Comecem por descascar a courgette, cortá-la aos cubos e triturá-la com uma varinha-mágica juntamente com um chapisco de leite. Logo de seguida, com um raspador, raspem as cenouras e reservem-nas, tapadas, assim como a courgette triturada.
Num recipiente, coloquem todos os ingredientes, pela ordem descrita, desde o açúcar até ao extracto de baunilha, inclusive. Misturem-nos bem com uma batedeira e adicionem o creme de courgette, voltando, a seguir, a trabalhar com a batedeira.
Para finalizar, apresentem à massa leve a cenoura em raspas e os pistácios grosseiramente cortados e unam-nos, de forma homogénea, com uma espátula.

Vertam o preparado para uma forma anteriormente untada com manteiga e farinha, e levem-na a um forno previamente aquecido a 190ºC. Quando fecharem o forno, diminuam a temperatura para os 180ºC. E aí permanecerá durante, aproximadamente, cinquenta minutos. Aconselho, porém, o teste do palito.

Apesar de realmente parecer uma receita fácil, existem, na sua génese, vários factores que podem comprometer o sabor do bolo, como a forma de cultivo da courgette, por exemplo, e a sua consequente quantidade de água, assim como o tempo em que a massa é sujeita aos movimentos da batedeira. Não vos quero, caros leitores, desencorajar, de modo algum! Muito pelo contrário! Desafio-vos a fazerem este bolo, tão leve, tão peculiar...

11 de junho de 2015

Arroz de Pato

Alegria e barriga cheia são os imperativos desta noite.
Como poderão alguns de vós, caros leitores, ter visto na minha página pessoal de facebook, hoje deixo-vos, como prometido, uma receita bem portuguesa, uma refeição reconfortante que, apenas acompanhada com um copinho de maduro branco, e dito por Camille "os sonhos dos amantes são como o bom vinho", e uma salada de alface e rúcula, enche as medidas até dos mais esfomeados.
De uma maneira cómica, sentindo-me eu com uma felicidade tremenda por estar na companhia de dois amigos na merecida privacidade de minha casa, admito-vos que, apesar das mensagens deste blogue poderem ser intemporais, esta publicação é realmente de hoje e, por isso, julgo eu ser algo, de alguma forma, bastante burlesco.

- 1 pernil fumado;
- 1 pato inteiro;
- 1 cebola grande;
- 4 dentes de alho;
- 3 folhas de louro;
- 2 cenouras grandes;
- 3 raminhos de tomilho;
- 1 molho generoso de salsa;
- sal;
- 800g de arroz;
- 2 chouriços de colorau.

Este prato, uma vez mais uma receita de família, deve receber toda a dedicação da vossa parte, dizendo eu isto como advertência a quem queira confeccionar esta receita num dia de pressa. Uma observação que entretanto julguei pertinente fazer é em relação à bela cor clara do arroz: este não é aquele escuro, pesado, que leva aipo e em que o pato passa por um processo de caramelização, mas sim um arrozinho leve, alvo e com todo o sabor original das carnes, as verdadeiras protagonistas.

Comecem por demolhar o pernil em água, durante mais ou menos vinte e quatro horas. Este processo serve para retirar o excesso de sal e gordura acumulada na pele.
No dia em que o pernil estiver pronto, coloquem-no numa panela de pressão, juntamente com o pato cortado em quatro partes, a cebola, os alhos, o louro, as cenouras descascadas e cortadas grosseiramente, o tomilho, a salsa e apenas um pouco de sal.
Deixem cozer durante, aproximadamente, uma hora e, quando as carnes estiverem completamente cozidas, neste caso deverão estar a descolar-se facilmente dos ossos, tirem-nas, reservem o caldo onde estiveram a cozer, deixem-nas arrefecer e comecem a desfiar, separando o que vos interessa, a carne boa.
No maravilhoso e aromatizado caldo onde cozeram as carnes, cozam o arroz também. Não obstante, antes disso, coem o caldo. Para a quantidade de arroz que vos indiquei, pre-façam exactamente o dobro da quantidade em caldo, onde o cozerão até ficar no ponto.

Carnes e arroz prontos, é hora de montar tudo!
Num pírex, ou numa travessa à vossa moda, coloquem, à semelhança de um empadão, uma camada de arroz no fundo, seguida por uma da mistura das carnes de pato e pernil e, para finalizar, uma camada exterior de arroz, decorada com rodelas de um bom chouriço de colorau.
A 200º C num forno pré-aquecido, coloquem o sumptuoso arroz de pato até o chouriço alourar, para a seguir o comerem com toda a vontade do mundo, nesta refeição bem portuguesa que é uma misto de crocância, sabores fumados e caseiros.

   

2 de junho de 2015

Semifrio de Morango

Nesta Primavera averanada pela qual estamos a passar, os morangos são um dos frutos que, aproveitando essa condição climática, dão conta das frutarias. Rechonchudos, vermelhos e brilhantes, pertencem ao grupo dos frutos múltiplos, assim designado pelo facto de um morango ser, na verdade, um conjunto de inúmeras e exíguas frutificações unidas.
Para além das propriedades antioxidantes, fortalecedoras e curativas, os morangos têm um sabor absolutamente delicioso e característico, um misto de doçura e acidez, uma relação amor-ódio que tem lugar no nosso palato. Eu, no entanto, prefiro-os bem doces. Gosto, porém, de brincar um pouco com a sua característica ácida e misturá-lo, por isso, num meio adocicado.

Eis uma receita onde isso acontece. Uma receita que já se encontra em casa dos meus avós maternos desde que me lembro e, como ditame, é confeccionada na época dos morangos. Chamamos-lhe semifrio de morango, apesar de haver uma quantidade quase interminável de receitas deste doce, mas o nosso é o mais fácil do mundo! Podem registar.

- 1 lata de leite condensado;
- 2 pacotes de natas;
- 4 folhas de gelatina de sabor neutro;
- 500g de morangos;
- 4 colheres de sopa com açúcar.

Sim, meus caros leitores, é isto!
Misturem o leite condensado com as natas, utilizando uma varinha mágica, até o preparado aumentar um pouco de tamanho.
Coloquem as folhas de gelatina, cortadas, dentro de uma tigela com água fria e deixem-nas hidratar durante cinco minutos. Após esse tempo, escorram a água que a hidratou e coloquem as folhas de gelatina num pequeno tacho, em lume baixo, e mexam até tudo fundir.
Em fio, vertam a gelatina para o preparado anterior, enquanto voltam a misturar tudo com a varinha mágica.
Numa taça ao vosso gosto, transparente, por exemplo, para conseguirem ver o interior, coloquem a mistura branca e doce que prepararam anteriormente e levem-na ao frigorífico durante duas horas, no mínimo.
Passado esse tempo, triturem os morangos até ficar uma polpa, adicionando quatro colheres de sopa com açúcar. Os meus estavam tão doces, que apenas lhes adicionei duas colheres.

Assim, para terminar, juntem a polpa de morangos com o preparado que esteve no frio, o qual, por diferença de densidades, deverá ficar sempre em baixo. Se gostarem de um toque de frescura, permitam-me que vos recomende a cortarem folhas de hortelã e disporem-nas sobre ou dentro da polpa de morangos.
Des(frutem)!

24 de maio de 2015

Tarte Oriental de Frango

Hoje é um dia extremamente especial para mim, assim como o seria para vós caso fosse o aniversário da vossa Mãe, acredito eu.
No âmbito festivo de hoje, em minha casa, comemoramos a bonita passagem de anos que têm feito apurar, de forma análoga ao processo de envelhecimento do vinho do Porto, as qualidades físicas e mentais da minha querida Mãe. Por conseguinte, decidi tentar a minha sorte, pela primeira vez, nesta receita de essências orientais.

- 1 frango inteiro;
- Sal grosso;
- 1 ramo de hortelã-mourisca;
- 2 colheres de sopa com vinho branco;
- 1 pau de canela;
- Meio limão;
- 1 colher de sobremesa com açafrão;
- 1 colher de sobremesa com caril;
- 1 colher de sobremesa com gengibre;
- Azeite;
- 250g de amêndoas;
- Açúcar;
- 3 cenouras;
- 1 courgette;
- 2 ovos;
- 1 ramo de salsa;
- Massa filo
- Molho de soja.

Julgo importante advertir que esta é uma receita com a particularidade de nos ocupar bastante tempo, porém o seu grau de dificuldade não é, de todo, elevado.
Durante cerca de uma hora deixem o frango, cortado a meio, marinar com sal grosso, hortelã-mourisca cortada em juliana e vinho branco. Passado esse tempo, coloquem-no num tacho com água, onde fique completamente submergido, liguem o lume e comecem a colocar canela, meio limão espremido, açafrão, caril, gengibre e sal.
Enquanto o frango coze nesse caldo maravilhosamente aromático, vão mexendo de quando em vez.
Estando ele cozido, retirem-no e reservem o caldo.

Uma vez que nesta fase o frango está demasiadamente quente para ser manipulado, comecem por aquecer, numa frigideira, um fio de azeite antes de adicionarem as amêndoas. Permitam que alourem e, de seguida, polvilhem açúcar para caramelizar nelas.
Retirem as amêndoas da frigideira e, nela, aproveitando as secreções dos frutos secos, coloquem cenoura cortada em pequenos cubos. Enquanto a cenoura coze, vão-lhe adicionando colheradas de caldo do frango. Quando estiver quase cozida, juntem o courgette, mais caldo e deixem ferver, com a frigideira tapada.

No entretanto do processo acima descrito, descolem toda a carne possível dos ossos do frango e desfiem-na, ou cortem, simplesmente, em pequenos pedaços. Envolvam a carne com as amêndoas caramelizadas, anteriormente partidas, e o "estufado" de legumes.
Cortem bastante salsa e envolvam-na também. Batam os ovos e espalhem-nos por todo o preparado, ingrediente que servirá de liga, ajudando, numa observação secundária, a preservar a suculência.

Untem uma forma redonda com azeite e forrem-na com massa filo. Deixem as extremidades da massa penderem para fora, pois servirão de tampa para a tarte.
Recheiem a forma com o preparado de frango e legumes, "fechem" a tarte, façam rosetas com massa filo e decorem a tarte com elas por cima.

A 180º C, durante aproximadamente vinte minutos, deixem o exótico prato acabar, por si mesmo, o último processo de cozedura.

Retirem esta Tarte Oriental de Frango e deliciem-se com fatias regadas com molho de soja.
Este é o meu presente para ti. Parabéns, Mamã!

 

22 de maio de 2015

Focaccia de Alecrim

Talvez seja de família, algo genético, quero eu dizer, mas quando vou a algum evento festivo, onde os propósitos são o convívio e o bom repasto, gosto sempre de cozinhar algo para levar.
Inspirado nos sabores mediterrânicos e tendo por base uma receita da apresentadora Filipa Gomes, exímia cozinheira cujas boa disposição e simpatia fazem-na a minha apresentadora de culinária favorita, com algumas alterações pessoais sugiro-vos este pão italiano, a focaccia.

- 500g de farinha de trigo, tipo 65;
- 320ml de água morna;
- 11g de fermento de padeiro;
- 1 colher e meia de sopa com açúcar;
- 1/2 colher de sopa com sal fino;
- 3 colheres de sopa generosas com azeite;
- Alecrim fresco;
- Sal grosso;
- 1 dente de alho pequeno.

No universo dos sentidos que a culinária é, devem-se sentir à vontade, sem nojices nem preconceitos, para a confecção desta entrada, um verdadeiro misto de crocância e leveza.

Aqueçam a água até ao ponto de introduzirem o vosso dedo nela e não sentirem qualquer diferença de temperatura, pressupondo, portanto, que o "morno" da água é o equivalente à nossa temperatura corporal. Nela, dissolvam, com a ajuda de um garfo, o fermento de padeiro e, logo a seguir, misturem o açúcar, o sal fino e o azeite.
Num recipiente à parte, coloquem a farinha, criando uma depressão no centro, como uma cratera, a qual receberá o preparado anterior.
Mais uma vez com o amigo garfo, unam o ingrediente seco com a solução líquida até criarem uma massa. Quando atingir esse ponto, coragem! "Mãos ao trabalho", literalmente, e, à medida que a moldam, vão adicionando farinha até que comece a perder a propriedade pegajosa.
Salpiquem farinha na vossa bancada e coloquem lá a massa. Trabalhem-na durante, pelo menos, dez minutos, usando movimentos de extensão e dobragem sucessivos.
Passados os dez minutos, moldem-na numa esfera, coloquem-na numa taça redonda untada com azeite e tapada com um pano húmido, num local de temperatura amena, e deixem-na levedar durante uma hora e vinte minutos.
Cronometrem bem todos estes intervalos de tempo que vos sugiro, pois, no que à confecção de pão concerne, é um factor importante. Por conseguinte, passado o tempo de fermentação, retirem a massa, a qual deverá apresentar-se da forma mais bela, pálida, leve, fofa e com o triplo do tamanho, para o centro de um tabuleiro metálico untado com azeite.
Com os vossos dedos, criem pequenas concavidades, espalhando, com cuidado e não totalmente, a massa pelo tabuleiro.
Colham ramos de alecrim e, cortando as folhas ou os rebentos tenros grosseiramente, espalhem-nos por cima da massa, assim como algumas pedrinhas de sal grosso e, por fim, um fio de azeite em ziguezague. Ofereçam à focaccia primordial o calor de um forno pré-aquecido a 200º C, durante meia hora.
Mal saia do forno, pincelem-na levemente com azeite anteriormente aromatizado com alho e algumas folhas de alecrim.

Agora, vou pegar na minha focaccia, juntar as peças e levá-la para a festa, onde será comida, espero, com gosto e molhada, cá fora com azeite e vinagre balsâmico e lá dentro com um copo de maduro branco.

    

20 de maio de 2015

Bolo de Maçã e Amêndoa

Existem sabores que, para mim, fazem todo o sentido quando juntos. Chocolate e banana, queijo de cabra e mel, nozes e vinho do Porto, e, neste caso, maçã e amêndoas.
Esses são os ingredientes protagonistas desta primeira publicação sobre o bem comer, o confortar o estômago e, consequentemente, a alma.

- 2 chávenas com farinha;
- 2 chávenas com açúcar;
- 1 colher de sopa com fermento;
- 2 maçãs* grandes, bem maduras;
- 6 ovos;
- 1 colher de sobremesa com canela;
- 1 chávena com óleo vegetal;
- 1 cálice com vinho do Porto branco;
- 200g de amêndoas palitadas.

Com a particularidade de sujar poucos utensílios culinários, esta minha receita é fácil, deliciosa e uma boa forma, saudável até, de comer fruta, isto para quem, ao invés dos meus hábitos alimentares, não a come frequentemente.

Para uma taça grande, peneirem a farinha e o fermento e acrescentem o açúcar. Misturem esses ingredientes secos. Numa liquidificadora triturem as maçãs, com os ovos, a canela e o óleo, até obterem uma massa cremosa com uma ligeira camada de espuma à superfície. Juntem esse creme aos ingredientes secos e envolvam-nos suavemente, mas com movimentos circulares vigorosos, com uma vara de arames. Em fio, nunca parando de mexer o preparado, vertam o vinho do Porto e, logo depois, adicionem as amêndoas palitadas e envolvam-nas com uma espátula, ou "salazar", como se costuma dizer cá em casa. Sim, porque aqui somos poupadinhos!
Na forma untada com manteiga e farinha, levem a massa a um forno previamente aquecido a 170º C, durante aproximadamente uma hora.

Quando o bolo sair, deixem-no descansar e arrefecer até adquirir uma temperatura ambiente. Este processo permite ao bolo libertar vapor de água mais lentamente, apurar os açúcares e evitar que seque rapidamente depois de encetado, algo que não se dava com sucesso caso fosse aberto ainda muito quente.
O meu bolo saiu há pouco do forno, mas dei-lhe o merecido tempo de repouso. Agora, vou fazer um chazinho de lúcia-lima e levar comigo esta fatia!


 
*Permitam-me a sugestão de utilizarem maçãs azeitadas, ou maçãs-azeite, pois, no seguimento de várias experiências, são as que melhor sabor dão, sem qualquer sombra de dúvidas, a este bolo tão adorado.

A história:
Não há muito tempo, passei uns dias no meu "retiro espiritual" favorito. Ou talvez retiro da engorda... Onde, para além de apenas se ficar satisfeito com a refeição quando se atinge o estado de enfartamento, o único movimento físico será, provavelmente, o folhear de um qualquer livro.
Histórias à parte, num passeio pela horta desse mesmo "retiro", encontrei, juntamente com uma amiga, uma curiosa macieira cujos frutos de aspecto sumarento nos armadilharam à sua deglutição. Dada a segunda trinca, encontrei, na minha maçã, manchas oleosas, de um verde quase radioactivo. "Tu queres ver que estas coisas estão envenenadas?", perguntei à minha amiga, assustado. Apressados, fomos ter com a Tia, que nos sossegou ao explicar que, na verdade, tratavam-se de maçãs azeitadas, ou maçãs-azeite, como também são conhecidas.
Depois de, já confiante, ter continuado a ingestão do fruto, fui reparando nas suas características: doce, farinhenta e oleosa, mas nada enjoativa, de todo. Concluí, pois, que seriam perfeitas para o meu bolo de maçã e amêndoa. Por isso, acabei de actualizar a receita, sugerindo a utilização das maçãs azeitadas. Embora sejam raras, tentem encontrá-las. O resultado que obterão neste bolo será significativo, posso garantir!